Um rali verdadeiramente GRANDE…. E MUITO CEDO….

Desta vez fui bem enganado….

Quando estava à espera de disputar as últimas três provas de asfalto do CPR2 tive que disputar uma antes da antepenúltima para só depois disputar as duas últimas…

Que grande confusão….

E isto já não é para a minha idade…

Este ano trocaram-me as voltas e já não são coisas que se façam a “jovens” da minha provecta idade, que continuam a querer ser, teimosamente parte integrante do “desmoronar deste edifício de ideais” que um dia me levaram a apaixonar-me por este desporto.

Que se desenganem aqueles que ainda pensam que o nosso velhinho Citroen Xsara pode lutar de igual para igual com qualquer um dos “poucos” carros inscritos nesta prova ou em qualquer outra deste pobre CPR.

Não…a nossa única luta é mesmo e só connosco…

E com a nossa vontade de participarmos, de uma maneira honesta, séria e profissional e fazermos o melhor que sabermos, sem deixarmos a nossa "montada" na garagem porque à partida não temos hipótese nenhuma de ganhar nada….

….Como alguns fazem…

…deixando que a validade e a ferrugem se ocupe de “roer” a fúria contida de não poder, possivelmente por falta de meios ou de envolvimento pessoal, ou quem sabe de vergonha, de tirar o pó a esses carros e vir participar na nossa festa….

Nesta bonita festa e convívio com que sempre encarámos os ralis…

Mas fui mesmo enganado com a realização prematura desta prova, como que se fosse um teste à nossa capacidade de reacção…

Mas a vontade e o querer supera tudo, e lá estivémos, com o esforço suplementar de todo o pessoal da INSIDE MOTOR, á partida e á chegada com avitória na classe 3 mais uma vez deste rali, que já foi chamado de tantas coisas que já nem sei como lhe chamar hoje em dia….

…Na porta estava escrito Rali Vidreiro….

…. Ainda se fabrica vidro na Marinha Grande?....

….Ou já conseguiram acabar também com a produção das lindas peças que saíam das mãos calejadas e queimadas dos melhores artífices de vidro do mundo?

E, continuo a não compreender porque as equipas são obrigadas a reconhecer o percurso, sem possibilidades de escolha, na 6ª feira antes da prova, que para maioria dos participantes é dia de trabalho…

…Em vez de minorar os custos de participação, vai aumentá-los, pois para vir reconhecer a prova em dia de trabalho tem de se deixar este para trás, com as consequentes penalizações económicas desse acto…

…. Que no meu caso daria francamente para vir quatro ou cinco vezes reconhecer no fim-de semana anterior….

…. Mas já no ano passado escrevi sobre isto e, como sempre, caiu em saco roto….mas é assim…sou eu que gosto de dizer coisas….

E depois começa-se uma prova ás 12 horas com 2 especiais feitas por duas vezes, a ritmo aceitável na zona de Pombal entrando a seguir numa monotonia aberrante e enervante, interrompida com alguns espaços competitivos de uma especial “fabulosa” na mata de S. Pedro de Moel, mas logo adicionada de longos períodos de espera em neutralizações e parques de assistência que só serviram para convívio e para comer umas “sandochas” ….

E a “cereja em cima do bolo” foi servida por uma especial, que até foi bem pensada, no centro da cidade, mas de tão tarde que foi realizada até dava para ir jantar, voltar dormir uma soneca….

E a entrega de prémios….

Será preciso sujeitar os pilotos, os seus acompanhantes e as suas assistências a esta espera interminável para no final nem se cumprirem os regulamentos, não sendo entregues “por esquecimento” os prémios a que por direito próprio ganhámos na estrada….

Mais valia terem dito logo e já estávamos a caminho de Lisboa, quando simpaticamente nos anunciaram a bordo de um Citroen ZX que já morreu em 1999….

É um Citroen Xsara senhores animadores……

…. É um Citroen, mas é um Xsara….que tem umas ligeiras diferençazinhas do Citroen ZX…

….”Por Amor da Santa”

E será que o Rali não poderia começar mais cedo e acabar mais cedo, facilitando a vida a toda a gente?

E depois as “cenas” dos tempos da super-especial “que eram mas já não são”….

…e que ditaram a classificação final deste rali levantando ondas de suspeição sobre o amadorismo inútil, de uma organização esforçada e competente, que tenta todos os anos, fazer o melhor por todos nós, às vezes sem o reconhecimento que lhe é devido, tentando montar uma prova competitiva, eficaz e atraente, o que, não tenho dúvida, não é tarefa fácil….

…Não mereciam que isto tivesse acontecido…ou será que este “jogo” também só acabou aos

92 minutos, e os os 2 décimos de diferença já foram no tempo complementar….

…Isto faz-me lembrar qualquer coisa….mas isso agora não interessa nada....

E um tirar de chapéu a mais uma prova excelente do nosso Adruzilo que merecia, sem desprimor para a vitória sem contestação do Bernardo, ser o vencedor absoluto deste rali…Parabéns MESTRE

E noutras guerras, entre as desuniões entre ACOR e pilotos e as incertezas federativas, ainda me vem o cheiro a charuto quando passo em alguns becos e travessas…

Será que o “buraco” de que se fala, será suportável pelos “homens de boa vontade” que irão acabar de pagar a factura dos charutos…

…. Ou ainda temos que chamar o Luís de Matos para nos prendar com uma das suas obras primas, e ressuscitar, quem, ainda no meu tempo, fez respeitar este desporto e foi respeitado ao mais alto nível, atingindo patamares, que quer se goste ou não, porque se trata de realidade e não de ilusão, nunca mais voltarão a ser atingidos…

Já não há respeito

Pode parecer á primeira vista, mais uma das minhas crónicas chatas e aborrecidas, falando sempre do mesmo, continuando a mandar pedras para um charco que quase já não tem água, dizendo mal de tudo e de todos, até do presidente eleito da nossa Federação que não teve a oportunidade de nos fazer o favor de aparecer numa das provas do principal Campeonato de Portugal de Ralis…. 

Mas desenganem-se os mais incautos que desta vez estou chateado é mesmo comigo…

E desta vez vou dizer mal de mim…para variar e acompanhar solidariamente os que já há muito tempo o fazem…

E passo a explicar…

Há cerca de 7 anos, acabado de me divorciar da minha oficina preparadora, ou talvez não, fiquei com a casa às costas, sem alternativas para guardar o meu material e o lixo que vamos guardando ao longo do tempo, com a ilusão que um dia nos vai fazer falta…

É quase uma situação desesperada, pois imaginem o problema que é guardar um Carro de Competição, uma Carrinha de Assistência, um Atrelado, uma dúzia de jantes e duas dúzias de pneus usados e reusados e material suplente em segunda mão que dava para encher um contentor, sem ser à porta de minha casa, com todos os inconvenientes que daí podiam advir, desde a má disposição dos meus vizinhos até ao risco dos serviços Municipalizados pensarem que alguém tinha deitado aquilo fora e levarem tudo para a reciclagem…

Dentro dos meus pensamentos mais recônditos, a consulta dos corriqueiros anúncios de aluguer de armazéns que com preços exorbitantes fazem logo desistir os mais ousados, as conversas com os amigos e sei lá mais o quê, lembrei-me de telefonar ao meu amigo de longa data Joaquim Batalha no sentido de averiguar, se na sua zona de influência, teria conhecimento de algum espaço para despejar a minha mochila. Falámos ao telefone, recordamos velhos tempos e combinámos beber um café passados uns dias, enquanto ele averiguava se haveria alguma coisa disponível para me poder satisfazer…

E o dia do café lá chegou, um dia ao entardecer, e onde após procura exaustiva o Joaquim lá vinha com algumas soluções, pois para ele também era desagradável ver um amigo sem ter onde poisar a casa…E andar com ela às costas é mesmo assunto de caracol, e eu ainda acho que ainda consigo ser mais rápido.

Dentro das várias soluções apresentadas aquela que mais me agradou foi um armazém acabado de construir, com muito bom aspeto, não muito grande e que servia perfeitamente os meus intentos….o problema era a renda que era manifestamente acima da disponibilidade orçamental para a situação…

Palavra puxa palavra, chegamos à brilhante conclusão que se calhar não era má ideia dividirmos o espaço e as despesas…

Eu arrumava a minha tralha e o Joaquim ficava com um buraquito para poder estar entretido com os seus parafusos, que isto de ser mecânico de profissão e de vocação, tem muito que se lhe diga…é tipo “bicho carpinteiro” .

Restava resolver um problema, decorria o ano de 2006 e além de arrumar a tralha eu precisava de alguém que a desarrumasse na altura das provas, pois estava a disputar o extinto Campeonato Nacional de Ralis.

Aí percebi um brilhozinho nos olhos do Joaquim e o bater da saudade dos tempos da Fiat e da Renault e a possibilidade, claro que com menos meios e de uma forma mais amadora, voltar ao palco e á ribalta do bichinho que um dia nos penetra até á alma e não mais nos larga até morrer.

Foi então, que passados os preliminares, passamos à ação e propusemos namoro um ao outro…Amor á primeira vista…talvez…o tempo iria ser o melhor conselheiro…

E então, sem pressas nem pressões resolvemos que poderíamos namorar uns tempos e ver o que ia dar…ao jeito desta juventude à rasca resolvemos “curtir”.

O Joaquim tratava dos parafusos e eu tratava dos papeis.

O Xsara, filho legítimo de uma ligação anterior tinha arranjado um padrasto, e eu podia dormir descansado porque ele estava bem entregue e seria pela certa tratado como se de seu filho se tratasse…

Foi assim, se quiserem num clima de autêntico romantismo automobilístico num por do sol daqueles de meterem inveja, que nasceu uma união de facto, a que sem dificuldades demos o nome de INSIDE MOTOR…e era mesmo por dentro dos motores que nós queríamos estar.

E lá fomos andando, dimensionando a nossa pequena estrutura ao trabalho que ia aparecendo e ajustando a nossa capacidade empresarial aos desafios que nos iam surgindo…

E, acima de todas as melhores espectativas, o nosso pequeno armazém com 110 m2 de repente se tornou obsoleto para a quantidade de trabalho que ia aparecendo, muito por culpa da extraordinária dedicação e profissionalismo com que todos os desafios foram sendo ultrapassados, com o objetivo de presentear com um serviço eficaz e de qualidade todos os amigos que iam aparecendo na nossa casa…

Tínhamos de crescer….

E, como prémio da nossa perseverança e atitude, e até porque sempre demonstrámos ser um casal feliz, resolvemos mudar de casa, para uma maior, com melhores condições e para que não tivéssemos de cortar as unhas dos pés para entrar na casa de banho.

Após alguns meses de enorme trabalho, para decorar e mobilar a nova casa, e dotá-la das melhores condições para podermos receber os nossos amigos, nascia um espaço quase com 1000 m2 onde já podíamos esticar as pernas sem correr o risco de entrar na sala do vizinho.

E lá fomos tratando dos parafusos, dos papeis e quando havia disponibilidade, na altura dos extintos subsídios de férias e do natal lá conseguíamos comprar mais um eletrodoméstico que nos fazia falta para podermos receber ainda melhor os nossos amigos.

E lá continuámos também com o Xsara que pelas mãos do seu padrasto e guiado pelo seu pai, conseguiu a proeza de terminar classificado todas as provas do Campeonato Nacional de Ralis de 2007…Que orgulho…para os dois

Mas estava na altura deste filho, já com alguma idade passar à reforma, e dedicarmos mais a nossa atenção a outros interesses, no fundo objetivo principal, e primordial deste casamento.

Coração ao largo e não se pensa mais nisso…

E assim foi em 2008 e 2009…

Mas ó vil doença incurável… em 2010 de tanto olharmos para ele, o Citroen piscou-nos um farol e eu disse com o peito apertado e a garganta a tremer… 

”Joaquim olha para o coitadinho….cheio de pó… e se o levássemos a passear… só um bocadinho…. O que é que achas?...e se em vez de ir só eu porque é que não vamos os dois?

Eu dou-lhe a mão do lado esquerdo e tu dás-lhe a mão do lado direito… Olha que era capaz de não ser má ideia?”

E foi assim que em 2010 o levámo-lo a passear duas vezes, em 2011 três e mais três em 2012.

E no início de 2013, e só porque não consigo parar quieto e sossegado, principalmente com a minha cabeça, e como até ali éramos um casal feliz, num Sábado de Janeiro, sentei o Joaquim á minha frente, olhei-o nos olhos e disse-lhe….”Vamos ter um filho juntos”

“É pá olha lá que isto não está fácil e as despesas são muitas e um filho desses custa muito a criar…é melhor ter-mos juízo”

Com alguma tristeza percebi que era só eu quem queria ter um filho, e sozinho não o podia concretizar…

Mas enganei-me… O Joaquim também queria. E passados dois ou três dias não conseguiu resistir e disse-me com o tal brilhozinho nos olhos, que eu bem conheço…

”Embora lá…seja o que Deus quiser” 

E foi assim que telefonámos para França, que é de onde as cegonhas trazem os bebés, e encomendámos o mais bonito que lá houvesse… 

A gravidez correu muito bem e os preparativos para o parto também…

Fizemos um quarto novo, decorámo-lo a preceito e esperámos ansiosamente a vinda da tal cegonha que nos trouxesse o nosso bebé para o qual já tínhamos escolhido o nome…. 

Peugeot 208 R2….

Peugeot da parte do pai e R2 da parte do outro pai…talvez.

E em final de Maio a cegonha chegou com o nosso menino…todo nuzinho e inocente a precisar de muito carinho, muito empenho e muita dedicação.

Foi sendo vestido a preceito e as gavetas foram ficando cheias de um enxoval, para o que desse e viesse, mas para que nunca lhe faltasse nada…

E pensava eu que esta era a educação correta….

Mas enganei-me…

Num instante o nosso bebé começou a ganhar vida, calçou os primeiros sapatinhos e disse as primeiras palavras..... que se a memória não me falha foram “BRUUUUUUMMMMMMMM”

E começou de repente a ganhar vida e a andar, e bem depressa e a ganhar a sua independência….

E para que não lhe faltasse nada até o resolvemos batizar.

Convidámos o Bruno e o Nuno para padrinhos e de repente como se o tempo passasse sem darmos por isso, e depois de várias sessões de esclarecimento com os pais e os padrinhos, e mais alguns amigos, para que nada corresse mal, chegou o dia tão esperado….

O nosso menino ia fazer o seu primeiro exame…

Será que estava preparado? Sserá que tinha estudado o suficiente?…

A ansiedade apoderou-se de toda a família, mas à medida que as horas iam passando instalou- se um clima de serenidade e confiança, pois não poderia haver melhores pais e melhores padrinhos para o menino mimado que criámos…

E aqui é que eu estou verdadeiramente chateado comigo.

A idade já me devia ter ensinado que não é por dar-mos tudo aos nossos filhos que os educamos da melhor forma.

E pelos vistos o nosso Peugeot, qual menino mimado, num instante se esqueceu do seu pai e correu estrada fora de mão dadas com os padrinhos, não se importando nunca do passo menos ágil de seu pai e do seu irmão...

Coitado…a idade não perdoa.

E é por isso que eu digo “QUE JÁ NÂO HÁ RESPEITO”….

No meu tempo a festa só começava após a bênção do pai….

No último fim de semana quando com o meu passo débil e cansado cheguei ao fim só vi aterrarem no chão as últimas gotas de champanhe e ainda ouvi os gritos que ecoavam em redor do menino, agora feito homem e que pela mão dos seus padrinhos atingiu a maior idade.

Sim, foi uma falta de respeito, mas cá por dentro não cabe tanto orgulho e tanta satisfação de saber que o nosso filho foi bem preparado para a vida e será capaz de enfrentar qualquer desafio sem medo e com a coragem necessária para o vencer…

Não é por acaso que se chama Peugeot 208 R2 e é filho da INSIDE MOTOR.

 

HÁ DIAS ASSIM....

As vezes apetece-me dizer que hoje de manhã, à tarde não devia ter saído à noite....

Parece uma inconstância e silogismo temporal, mas numa só frase quero dizer que nem devia ter saído da cama...

Não acredito em premonições ou destinos pré estabelecidos, mas que alguma coisa nos diz que este não é o dia, é uma realidade em mim que apesar da minha formação científica, não consigo explicar.

E o dia 9 de Novembro foi um dos tais dias...não era o dia.

Acorda-se cedo, com vontade de dormir mais, e de repente sentimos que aquilo que tanto gostamos de fazer, e que tanto ansiamos, deveria ser adiado para o dia seguinte...

É que hoje não era o dia...

Levantamo-nos arrastando os membros inferiores, pedindo sempre licença ao esquerdo para mexer o direito, rapamos os pelos da cara mal e porcamente, e nem um duche rápido nos faz acordar...

Vestimos o "fato de trabalho", espreitamos pela janela para ver o que o S. Pedro nos reserva e lá vamos ao ralenti comer qualquer coisa...

....e de repente como vamos pagar.... Qué da carteira?

Tinha ficado no Hotel....

Voltamos rapidamente, não tão rápido como isso, mas um pouco mais depressa que "ao ralenti" subir até ao 12º piso e ir buscar a "famosa", que bem podia ter dito...." Oh rapaz tás a esquecer-te de mim e depois ficas agarrado......"

Mas não disse, a estúpida, e obrigou-me a fazer piscinas entre o Hotel e o café para poder pagar o que já tinha consumido....

É que não estava lá mais ninguém, porque a rapaziada da assistência já tinha ido montar a barraca, que nestas coisas eles não deixam os créditos por mãos alheias, e querem ter tudo pronto e impecável a tempo e horas

Lá ingeri algumas energias e fui até à nossa aldeia, montada no passeio ribeirinho de Portimão, onde uma atarefada equipa finalizava pormenores técnicos para receber mais tarde, o Peugeot 208 R 2, desta vez entregue ao Diogo Gago, e o velhinho e cansado Citroen Xsara entregue como sempre a mim próprio, e que acredito vivamente que mais ninguém queria que lhe fosse entreguex

E lá chegou a hora de irmos buscar a montada ao Parque Fechado e de repente....

Qué das luvas e da baleclava.....??.

Oh Deus, ou Vida ou que Azar, muito ao estilo do patinho feio dos meus tempos de criança, com a casca de ovo na cabeça de nome "Calimero".

Não era possível...tinham ficado no hotel mesmo estacionado ao lado da famosa e resgatada carteira.

Mas agora não era possível ir lá buscá-las, nem de avião a jacto, porque estávamos a escassos minutos de partir para a estrada...

Oh Paulo, tens aí umas luvas a mais que me emprestes e uma balecava?

Num ápice aí vinha o Paulo Neto com um par de luvas suplentes e o Bruno com uma balaclava preta bem ao estilo da decoração do Escort do Pedro Leone

E de repente ai vem o Joaquim Batalha, com um sorriso na boca, dizendo....

Isto é uma equipa a sério...

Aqui tens umas luvas e uma balaclava, que temos suplentes na nossa carrinha...

Fantástico....bem ao estilo de qualquer equipa de fábrica....he he he

E lá fomos estrada fora direitos a Monchique, mas com mais vontade de ir ver na estrada, a discussão do título nacional e as performances do nosso menino 208....

Mas também em mente a necessidade de chegar ao fim do rali, e pelo menos, classificado até ao 3º lugar do grupo N, para podermos dar o salto em termos de classificação absoluta do Campeonato e passar par o 3º lugar final, só atrás do já anunciado vencedor, Miguel Barbosa e de um excecional Adruzilo que não deixa de nos surpreender...

Pelo menos isso...o velhinho tinha de resistir e chegar ao fim de mais uma...

E lá fomos, Chilrão, Foia......a especial que gostamos mais....uma verdadeira especial de rali, e depois Monchique, Chilrão e Foia outra vez.....

E de repente, na parte inicial, a mais estreita subir, numa esquerda, já está.... O chaço parou...

Manteve-se a trabalhar, mas para a frente é que não.... E numa parte estreita... E o piloto que vem atrás.....

Vai António, rápido....sai e vai lá para fora avisar.... senão ainda ficamos com algum carro na mala, o que além de ser inconveniente não era muito estético...

E lá saiu ele correndo especial a baixo, enquanto que eu tentava encostar o mais possível para não prejudicar a prova de quem viesse atrás...

E lá fui, tentando, liga bomba de gasolina auxiliar, desliga daqui liga de acolá, mas ele nada...e a diferença de 5 minutos que nos separava do primeiro carro do Open depressa se esfumou, e foi a vê-los passar...

...gasolina mal precisam, oficina nem pensar, que raio de negócio eu fui arranjar....

E de repente após 10 minutos de duro sofrimento em que me tudo me veio à cabeça, pensei muito seriamente que tudo tinha acabado por ali e que tínhamos, mais uma vez morrido na praia, de repente, depois de termos desligado o corta-circuitos, o carro ganhou nova vida, o motor roncou outra vez e nova esperança surgiu, para ai fim de um quilómetro voltar a parar e tudo voltar ao mesmo...mas desta vez, numa parte mais larga e numa reta em que a visibilidade era suficiente para não termos que tirar ninguém da nossa mala...

Mais uma desligadela de corta-circuitos e lá voltou ele a andar mais umas centenas de metros...

Foi então que percebemos a técnica...

Primeira nos queixos acelerador a fundo, uma mão no volante, outra na manete da caixa e outra no corta-circuitos...não a minha (que já tinha as duas ocupadas) mas a do António que por esta altura já tinha arrumado na pasta as notas de andamento tal era a velocidade alucinante a que rolávamos...

E foi assim no liga desliga que acabamos a especial e nos fizemos à ligação para Portimão, o mais depressa que podíamos para não penalizar á entrada do Parque Fechado, mas sem antes ligarmos para o Francisco...

Oh meu esta m...da está a falhar por todo o lado mas estamos a tentar chegar aí a baixo...

Prepara a sala de operações que o doente está moribundo...

Mas o que é que ele tem.

Sei lá deve estar a entrar em coma...ou então é o medidor de massa de ar, ou o captor, ou o sensor ou a bobine ou o raio que o parta que já estou farto dele....

(Coitadinho...é mentira...não tou nada.,..o que ele já sofreu nas minhas mãos...é quase da família)

E lá chegámos ao Parque de assistência onde prontamente o Francisco se embrenhou em hipóteses diagnósticas variadas, das quais não faltava a hipótese mais plausível de não sei o que é que este gajo tem....

Até que ao mexer na instalação se detetou a doença provável de um fio partido algures não se sabe onde...

E vai de amarrar a instalação o melhor possível para não vibrar, e de repente aí estávamos nós de volta à estrada com um carro sem falhar e com a esperança renovada de tentar chegar ao fim e conquistar os objetivos a que nos tínhamos proposto...

O 3º lugar absoluto do Campeonato Nacional de Grupo N

E de tão felizes que estávamos, até nos esquecemos de reabastecer, pensando nós que como tínhamos vindo tão devagar tínhamos poupado combustível para fazer as três últimas especiais...

Mas rapidamente, percebemos que teríamos de pôr combustível numa das zonas autorizadas, ou desta vez ele iria parar mesmo por falta de gasolina....

Há mesmo dias assim

E lá fomos com a nossa montada mais confortada atacar novamente Monchique, Chilrão e finalmente a última especial, e a mais desejada...a Foia...

E ele já não falhava...e era agora que nos iríamos divertir....

10...5...4...3...2..1...GO e aí íamos nós, sem falhas, com o coração mais bem aliviado e pelas desistências dos outros carros do nosso grupo ocupando o 2º lugar, atrás do Adruzilo, o que era mais que suficiente para os nossos intentos...

2ª, 3ª 4º ....3ª gancho com direita a fundo para 200 gancho e por aí fora....3ª, 2ª e trás zás pa trás....

A caixa tinha explodido ou então era a guerra do Iraque debaixo da zona central do carro...

E sabem que curioso....na mesma curva onde na passagem anterior tínhamos ficado parados...

Ainda dizem que as curvas são todas iguais, só que umas são esquerdas e outras são direitas....

Mentira esta é três vezes esquerda e está pela certa embruxada....coisas em que eu não acredito...mas que as há ...há

A propósito até estou a pensar em escrever uma carta à Câmara Municipal de Monchique, para falarem lá com um Engenheiro qualquer que perceba do assunto, e tirar de lá aquela curva e por lá outra coisa diferente, tipo uma reta ou uma curva para o outro lado, porque se para o ano eu ainda andar por estas andanças e tiver que fazer esta especial, até tremo só de pensar que vou ter que lá passar....

E assim lá voltámos a ficar parados sem possibilidades de engrenar qualquer mudança...

Agora sim, era o fim...

E de repente, após várias tentativas, a 1ª entrou e começámos lentamente a rolar não ultrapassando os alucinantes 40 Km por hora....

Dentro do mau, nem tudo se perdeu, pois com a velocidade com que fizemos a especial, de quatro piscas ligados e de 1ª engrenada, não correndo o risco de a tirar não fosse ela não querer entrar outra vez, fomos vendo a paisagem maravilhosa da Foia, cumprimentando os espectadores, os nossos amigos e de vez em quando encostando para deixar os carros que em grande número tiveram o privilégio de nos ultrapassar...não é para todos...

E o fim da especial chegou e ainda ultrapassamos o Ruivo.... Que estava parado (claro) com o seu Peugeot...Fantástico

Faltava a ligação até Portimão....

Sempre de 1ª com um barulho dentro da caixa que nos faria prever que de um momento para o outro alguma coisa iria saltar e furar o tejadilho, lá fomos percorrendo a longa ligação até ao final do rali, onde à partida não iríamos chegar no nosso tempo ideal...

Mas o que interessava era terminar, e para isso ainda podíamos contar com a possibilidade de penalizar 15m por atraso antes da desclassificação da prova por tempo de penalização

excedido...

E foi com os pensamentos, mais negros, com o coração nas mãos e a adrenalina em alta que conseguimos entrar, no controle de chegada final com 7 minutos de atraso, mas o suficiente par acabar classificado no 10º lugar da geral, 2º do grupo N e primeiro da classe 3 na última prova do Campeonato de Portugal de Ralis.

E ainda tivemos força e coragem de levar a nossa velhinha montada até ao pódio onde algum iluminado da organização do Clube Automóvel do Algarve resolveu meter os três campeonatos disputados nesta prova, o Campeonato de Portugal o Campeonato Open e o Campeonato Regional Sul, dentro do mesmo saco, e elaborar uma classificação conjunta do Rali e dessa forma distribuir os prémios, numa aliciante moda de tudo ao molho e fé em Deus...

Desta forma e com os azares que nos aconteceram, por esta hora ainda estaria á espera que o meu prémio da classe fosse entregue...

Felizmente e depois de alguma troca de palavras com os representantes da Federação e da Organização foi entendido que alguma coisa estava mal...

É que pelo menos houve diferença no pagamento da inscrição para a prova...e não foi tão

pequeno quanto isso,,,

Então se os Campeonatos são diferentes e com classificações separadas e em que não existem pontos comuns porquê distribuir os prémios a uma pseudo classificação única para a qual ninguém se inscreveu ou participou...

Respeito para ser respeitado.

É a única forma de continuar a tentar voltar a fazer deste desporto um desporto enorme, estatuto que já teve, e que merece, e que muitos teimam em não aceitar

Mas às vezes não é possível fazer mais nada...

É que há dias assim !!!

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