O Primeiro de 2002...ou ser sempre o primeiro???

Asfalto? Terra? Asfalto?

Decidam-se de uma vez por todas, porque tenho a rapaziada toda lá na oficina com as suspensões e as rodas sem saberem muito bem o que é que vão montar...

Decide-se que o Nacional é dividido em duas fases, uma de asfalto e outra de terra...

Decide-se que a primeira fase é de terra e a segunda é de asfalto...

Decide-se que o Rali Casino da Póvoa para ser o primeiro terá de mudar a sua estrutura para terra ou então deixar de ser a prova de abertura do Campeonato...

E... então decidido está e assim terá que ser feito... e foi...

Mas por pouco tempo...

...porque as autarquias não puderam mobilizar a tempo os meios suficientes para transformar os pisos em “auto-estradas” que o “Inverno rigoroso” tornou impraticáveis...

...porque é cada vez mais difícil justificar às populações, porque é que um grupo de rapazes vestidos de maneira engraçada, com uns carros muito barulhentos e folclóricos, vêm uma vez por ano desgraçar “os caminhos”...

...porque...porque...

Porque um grande senhor do desporto automóvel, que tem feito muito mais por ele, do que muitos podem e deveriam fazer, não quer perder aquilo que é seu por direito adquirido... A prova de abertura do Nacional de Ralis.

Parabéns Fernando Batista, Targa Clube e todos aqueles que mais uma vez conseguiram mudar tudo e todos e voltar a afirmar que a tradição, afinal, sempre é aquilo que era...

Parabéns pelas relações entre portugueses e espanhóis que puderam trazer a esta prova quase tantos pilotos nacionais como do país vizinho...mas porque a prova é realizada em asfalto...

Parabéns, essencialmente pela excelente organização, tanto desportiva como social, a fazer inveja a muitas do Campeonato da Europa, mas que não foi surpresa, pois não seria de esperar outra coisa do Targa Clube.

Parabéns ao S. Pedro que nos deu um autêntico dia Primaveril, que fez, ainda mais, brilharem as magníficas paisagens do Minho e realçar troços como Vilar de Mouros autêntico ex-líbris das especiais de classificação dos ralis nacionais.

Com 65 inscritos na prova de abertura do Campeonato, qualquer organização sentiria um enorme orgulho pela adesão de tantos pilotos à sua prova, numa fase, que como é sabido toda a gente ainda procura “meios e inteiros” para poder levar os seus projectos por diante...

Claro que não se esperaria que faltassem os principais interessados no Campeonato, com a Peugeot, a Ford, a Citroen e a Fiat, mas tanta gente...fantástico...

O nº 1 foi dado, pela ausência do Campeão Nacional, ao vencedor do Campeonato de Produção 2001 – Pedro Dias da Silva, que curiosamente não vai poder defender o seu título por não ter, pela certa encontrado apoios para o fazer, estando inscrito com um Citroen Saxo com que irá disputar o troféu.

Só no nosso país era possível ser confrontado com a situação de tanto o Campeão Nacional Absoluto, como o Campeão do Agrupamento de Produção, estarem afastados da possibilidade de defenderem os seus títulos...mas isso são outras histórias...

A Peugeot apresentava-se com um único carro entregue a Miguel Campos e a Ford apresentava o seu Focus WRC entregue a Rui Madeira e em princípio os únicos dois capazes, em condições normais de discutir a vitória no rali.

À espreita estavam a Citroen com o seu novo pupilo Armindo Araújo, desejoso de “mostrar serviço”, e a Fiat com o recém transferido e ex-Citroen Vítor Lopes também ansioso para mostrar que pode defender o título de 2001 agora a bordo de um Fiat, apesar de ter também de lutar com um ano de experiência do seu companheiro de equipa José Pedro Fontes.

No agrupamento de Produção Horácio Franco não conseguia ainda estrear o Mitsubishi Evo VII e tinha em Bruno Magalhães e Armando Parente, (que farto de ganhar dinheiro a alugar o seu carro quis também experimentá-lo) sérios concorrentes na disputa do agrupamento.

De entre a armada dos “nuestros hermanos” temos de referir German Castrillon que vem sempre a Portugal mostrar alguma qualidade e rapidez, sempre com carros muito bem preparados, desta vez com um Mitsubishi Lancer do agrupamento de Turismo.

O único troféu que iniciou a sua participação nesta prova foi o Fiat Punto que reuniu 10 pilotos.

Na classe 5 a Calisto Corse Equipe inscreveu o seu habitual Yaris 1.3, sem qualquer alteração em relação a 2001, exceptuando-se a decoração e a falta de alguns patrocinadores que ou morreram ou emigraram, mas certo é que ainda não deram à costa...

Nesta classe estavam inscritos sete viaturas de onde se destacavam o vencedor da última prova do Troféu Yaris 2001 Pedro Peres, O Ford Ka da Auto Rabal que virou Ford Ka Kit Car, com uma caixa tipo “closeratio” e um bonito kit de carroçaria que o Aires Faria “babadamente” e com razão fazia orgulho em mostrar, e a estreia do Suzuki Ignis do Importador nacional pela mão de Rui Almeida...também nesta classe estavam inscritos três Fiat Cinquecento de equipas espanholas.

Com uma Super Especial de 1,9 km realizada nos arruamentos da linda Póvoa de Varzim, com início às 21 horas de sexta-feira foi dado o pontapé de saída em mais um Nacional de Ralis.

Felizmente que esta especial estava rodeada de público, o que constituiu, pela certa, um boa divulgação desta modalidade...e a não ser por este motivo ainda terão que me apresentar uma “cabecinha pensadora” que me explique a validade destas “super especiais”.

Desportivamente, Miguel Campos começou a passear a sua superioridade perante toda a concorrência... e a não acontecer nada de invulgar o título está entregue...já estava antes do Campeonato começar...

No dia seguinte, já bem na zona de Ponte de Lima, Miguel Campos deixou Rui Madeira a quase 7 s nos 10 km do segundo troço...é obra...

Na 2ª especial Rui Madeira não conseguiu evitar mais um despiste que o colocou fora de prova...por isso é que o Fernando Prata anda com aquele ar??? Assustado???

Com Rui Madeira fora de prova era lícito pensar que o vencedor estava encontrado, se algumas dúvidas ainda existissem...

Para o segundo lugar, a luta estava acesa entre o Citroen Saxo Kit Car e o Fiat Punto Kit Car, com vantagem para o homem da Fiat até à 7ª especial, sendo ultrapassado pelo homem da Citroen na 8ª classificativa que assim tomou o comando da Fórmula 3 e o 2º lugar da geral, o que não deixava de ser notável para um estreante.

Esta brilhante actuação durou pouco, pois uma saída de estrada na 10ª especial deixou o caminho livre para a vitória de José Pedro Fontes e do seu Fiat Punto na Fórmula 3 e para a obtenção de um formidável 2º lugar da geral.

Na Produção Bruno Magalhães não “falou com ninguém” e comandou do início ao fim o agrupamento, vencendo pela primeira vez, mas sem margem para dúvidas, o seu agrupamento e ficando em quarto da geral.

No Troféu Punto o primeiro vencedor deste ano foi Paulo Antunes.

Na classe 5, Pedro Peres, depois de dominar por larga vantagem, entregou a vitória ao estreante Suzuki Ignis, guiado por Rui Almeida e Aires Faria levou a sua “bomba” da Ford ao segundo lugar, beneficiando largamento dos seus melhoramentos para deixar Victor Calisto e o seu Toyota em terceiro da classe, que mais nada pode fazer que assistir à esmagadora superioridade dos seus adversários.

Terminaram 38 dos 65 participantes num rali que se revelou interessante e muito bem disputado, embora com algumas zonas que privilegiam os carros de grande potência e com algumas zonas perigosas que poderiam ser evitadas.

No próximo rali, o Rali do F. C. Porto, o regresso à terra e a confirmação de algumas equipas ou o mostrar de novas performances em pisos tão difíceis, como os rápidos pisos de terra da zona de Fafe. 

Rali ou Ski??? 

Cena 1

A minha primeira preocupação quando cheguei a Fafe e fui informado que no Vizo e em Luílhas estava a nevar, foi procurar no interior do meu carro de assistência...

...destapei, levantei, desdobrei, descondicionei, desarrumei e todas as manobras que me lembrei e efectivamente não encontrei...

Onde estão os pregos??? Onde estão???

Desesperado pensei que isto não me podia estar a acontecer

Onde estão os pregos, os parafusos, as taxas ou seja o que for que nos alivie da terrível sensação de ter de rodar em terreno nevado sem estes acessórios tão preciosos

Então, mas que raio de assistência são vocemecêsses, nem pregos nem, nem nada.

Como é que vai ser. 

Corram, procurem uma casa ainda aberta e comprem; comprem pregos; comprem.

Vocês até parece que não vêem aquela rapaziada que aparece na televisão a andar que nem uns loucos em cima da neve?

Têm pregos; muitos; para dar e vender

Como é que vocês querem que eu ande em cima deste piso sem uns PREGGOOOSSSSSS!!!  

Foi então que alguém, de certeza enviado por Deus gritou...

“Pregos não arranjei mas tenho aqui uns cachorros e umas sandes mistas... dá não dá???

 

Cena 2

Após devidamente acalmados por um desmentido oficial referindo que efectivamente tinha nevado, mas tinha sido engano porque aquela neve não era para ser para este Rali...

...era uma nevezinha que deveria ter sido entregue no Rali de Monte Carlo, e que tinha andado para aí perdida e só foi entregue agora, ainda por cima no local errado...estes Correios estão cada vez pior...

Dizia eu que após estarmos mais calmos, fomos até às verificações documentais, onde fomos confrontados por mais uma cena característica das organizações portuguesas...

Inequivocamente, todas as organizações têm um regulamento que é aprovado pela FPAK, de onde consta uma data limita para serem aceites as inscrições.

Neste regulamento, consta também que a inscrição para ser aceite e válida, o seu valor têm de estar liquidado à data do fecho das mesmas.

Então porquê os dois concorrentes que verificaram à minha frente liquidaram a sua inscrição no acto da verificação, quando eu, que ando de certeza enganado há 25 anos, liquidei, como aliás sempre faço, a minha inscrição dentro da data limite referida no regulamento.

Continuam a haver concorrentes de primeira e concorrentes de segunda.

E, podem crer, que por vezes me sinto concorrente de terceira... 

Depois fomos para as verificações técnicas que eram para ser nos Bombeiros e depois já não eram, e acabaram por ser no concessionário local da OPEL, que disponibilizou o seu “hall de entrada” para verificar os carros, para o movimento da oficina e para aturar o público, isto tudo com uma entrada e saída comuns. 

Mais dignidade para um acto que pretende verificar se os veículos inscritos se encontram de acordo com as especificações da ficha de homologação e do Anexo J da FIA.

Depois, e ainda não percebi para quê, a FPAK inventou uns papéis (fotocópias) onde todos os ralis temos de preencher com o número de homologação do roll-bar, das bacquets, dos cintos, dos fatos, das meias, das cuecas etc. etc.

Para quê um Passaporte Técnico, que em princípio devia servir para transportar toda essa informação de prova para prova, e não só para fazer gastar dinheiro aos pilotos e encher os bolsos da FPAK.

 

Cena 3

Vá lá, desta vez fomos poupados à Super Especial, mas pelas sete da matina, com um frio de tarar, mas sem neve e com um céu que mais parecia um dia de verão em terras do sul, lá começou esta segunda prova do Campeonato Nacional de Ralis, a primeira em terra e talvez aquela que melhores pisos põe à disposição de todos aqueles que resolveram deslocar-se a esta prova de tão grandes pergaminhos.

Pena foi, a exemplo do que já aconteceu, não termos o Presidente Pinto da Costa a acenar com a bandeirinha dos Dragões à frente da nossa cara...

...por certo a procura de local para o novo estádio tem dominado tanto as suas preocupações que já não nos liga nenhuma...”graças a Deus”.

E, lá fomos nós a tiritar por estradas, montanhas, vales e planícies a caminho de mais uma aventura.

E, ainda não tínhamos ido para a estrada já chegava a notícia que o Rui Madeira tinha estragado outro pó-pó.

Ou ele tem alguma coisa contra a Ford ou não “tá a regular bem da cabecinha”, que ele até não é homem para estes desvarios...então Rui, assim nem dá para aquecer...nem as provas nem o Campeonato...vamos lá ver se começa a correr melhor!!!

E, quando chegámos ao Vizo, então compreendemos que era tudo verdade.

As bermas ainda estavam completamente brancas – que espectáculo lindo.

 

Cena 4 (Macaca) 

E, eis senão quando nos preparava-mos para iniciar a primeira das doze especiais do rali, o meu navegador se começou a sentir indisposto e com dores abdominais violentas.

Pensei logo que seria “cagaço” da “reles” neve que ainda abundava por aquelas zonas, ou então dos pregos ou dos seus substitutos que foram ingeridos na véspera.

Fosse qual fosse a razão, o que é facto é que o rapaz começou a ficar cada vez mais aflito, branco e a passar-se e eu pensei – desta vez é que desistimos sem começar.

Mas o “gajo” quase a morrer segredou-me “anda com essa merda que eu vou-me aguentando”...

E, lá fomos andando, com notas, sem notas, com “ais”, sem “ais” até que fato de competição para baixo na beira da estrada e Injecção Intramuscular no “rabinho”...

...que cena triste...

Até parecia que estava no “serviço de urgência”...

...mas que resultou, resultou e o homem começou a ficar melhor e a dizer “disparates”, pelo que conclui que já não devia morrer desta...

 

Obrigado pela coragem...  

 

Cena 5 (Desportiva)

Desportivamente este rali, com 52 inscritos, a exemplo do anterior, não teve história...

Depois do Rui Madeira não ter “Energia” suficiente para mais de meia especial, Miguel Campos e a Peugeot, a não ser que alguma coisa de muito estranho acontecesse, estariam antecipadamente destinados a passear a sua superioridade e a vencer mais uma prova do Nacional de Ralis.

A luta estaria aberta para o vencedor da Fórmula 3, do Troféu Punto, da Troféu Saxo e do empobrecido agrupamento de Produção.

Só que no início do rali Paulo Antunes no Fiat Punto HGT do Troféu, benificiando do excelente conhecimento do terreno, ousou importunar os oficiais da Fiat e da Citroen, obtendo logo na classificativa de abertura, o segundo lugar da geral, logo atrás de Miguel Campos – a todos os níveis surpreendente.

Mas a pouco e pouco, e com o desaparecimento da neve em algumas especiais, as coisas foram começando a ficar arrumadas nos seus respectivos locais, embora no final da primeira metade do rali este piloto ainda fosse terceiro da geral logo atrás de Miguel Campos e Bruno Magalhães, que como esperado liderava a Produção.

Na classe 5, o vencedor da prova anterior, Rui Almeida, era obrigado a desistir com o seu Suzuki Ignis logo no final da primeira especial.

A luta resumia-se ao Ford Ka da Auto Rabal e ao Toyota Yaris da Calisto Corse Equipe, visto que o outro Toyota Yaris presente, do piloto jornalista João Ramos, nunca se mostrou capaz de acompanhar os andamentos dos seus concorrentes na classe.

No final da 1ª secção, O troféu Saxo era liderado por Pedro Dias da Silva, o Troféu Punto por Paulo Antunes, que como foi dito, era surpreendentemente terceiro da geral.

 

Cena Intermédia (Anti-desportiva) 

E, bem no meio da classificativa de Santa Quitéria, na sua segunda passagem, três latões (daqueles de 25 litros), foram habilmente colocados à saída de uma curva que se faz a fundo, impedindo completamente a passagem pela especial.

Foi inevitável o embate, e por incrível que pareça, o latão anichou-se entre a roda da frente direita e a cava da roda do nosso Yaris, e acompanhou-nos até ao final da classificativa, destruindo o pneu, desmanchando a nossa concentração, reduzindo o nosso andamento e aumentando a nossa raiva por nada poder ser feito a esta cambada de energúmenos, que se não gostam de automóveis porque é que não vão jogar ao “pacau” – eles dão a cabeça e eu dou o pau...

É impossível ter um segurança atrás de cada espectador.

É, sem dúvida, uma questão de educação e fundamentalmente respeito por aqueles que tudo dão para poderem praticar o desporto que gostam.

 

Cena Final

Com o aproximar do fim do rali e com as especiais mais duras da parte da tarde, a lista de desistências foi engrossando, e pensamos que seria de evitar, num rali que prima por algum cuidado no estado dos pisos, classificativas do tipo da Especial de Cabeceiras de Basto que mais não serviu para provar que os carros têm uma resistência acima da média...e não choveu, porque senão não sei como seria...

No final, e como esperado, Miguel Campos vencia, Bruno Magalhães era segundo da geral e ganhava a Produção, Armindo Araújo, desta vez superiorizava o seu Citoen Saxo Kit Car aos Puntos Kit Car oficiais, que perdiam José Pedro Fontes na penúltima classificativa.

Nos troféus Paulo Antunes vencia o Troféu Punto e era 6º da geral e Vítor Pascoal vencia o Troféu Saxo sendo 10º da geral.

Na classe 5 Aires Pereira vencia com o seu renovado Ford Ka, deixando Victor Calisto e o seu Yaris a 2m 36s que por sua vez deixava o outro Toyota de João Ramos a 9m e 54s.

Terminaram 29 concorrentes dos 52 que iniciaram a prova.

E, agora a próxima, lá para Maio...

Rali de Portugal ou não...dois dias ou um só...e todas as incertezas e dúvidas que o ACP Sport já nos habituou...

Rali Figueira da Foz ou “O Regresso ao Passado”

A última vez que estive na Figueira da Foz por causa dos automóveis – será que já estive nalgum lado sem ser por causa dos automóveis??? – foi quando ainda havia Rali de Portugal a sério – lembram-se???

É que às vezes esqueço-me que esta crónica também pode ser lida pelos mais novos e esses de certeza que não se lembram de Ralis a sério...

Ralis com verdade, com emoção e em que não era preciso ser um predestinado e um super protegido para ganhar ralis...bastava guiar bem, às vezes muito bem...

Mas a ultima vez que o roncar das máquinas tinha acordado esta cidade à beira do mar foi já no distante ano de 1997 (já lá vão 5 anos), quando o Rali de Portugal fez sede pela última vez no Centro do país, sendo depois a pouco e pouco empurrado tão para o Norte, que este ano já não tenho bem a certeza se é em Portugal ou Espanha, mas que é longe é...

Mas muito antes, em 1982 quando da nossa primeira participação neste Rali, ex-líbris do Clube Automóvel do Centro, a bordo de um Mazda 626, começamos por sentir as sensações do troço de abertura em asfalto, na estrada sinuosa que liga a Figueira da Foz a Quiaios pela Serra da Boa Viagem.

Depois, a ligação até ao Buçaco com as demolidoras especiais dessa zona, e ao fim do dia, o regresso à Figueira com o último troço do rali também feito em asfalto e no percurso inverso da especial da manhã.

Quantas vezes, se calhar nesse ano, mas seguramente nalguns que se seguiram o Rali foi decidido nessa última dezena de quilómetros....quem não se lembra das lutas entre o Escort Grupo 4 de Joaquim Santos e o Datsun 160 J de Santinho Mendes, navegado nessa altura por um bem menos “importante” Rui Cunha, que partiam para esta especial decidindo meia dúzia de segundos que os separavam na luta pela vitória do Rali.

As correrias (de má memória) das equipas de assistência para mudar os pneus de terra para asfalto, a descida alucinante do asfalto molhado da noite, entrecortado pela luz rotativa do Farol como aplaudindo sem cessar os resistentes no regresso a casa...

O encontro no desaparecido Tubarão, e o abraço da felicidade de ter participado e de ter dado o melhor de nós próprios...

Mas isso foi antes, porque desde há uns anos que este Rali fora despejado mesmo lá no meio de Portugal, em Oliveira do Hospital, onde embora bem organizado e competitivo perdeu todo o carisma da prova rainha do Centro de Portugal – não fosse ela originada no Rali da Rainha Santa – mas isso também já não são contas do nosso rosário.

Assim foi com alguma expectativa e emoção que vimos novamente o Rali regressar a casa, neste pressuposto regresso às origens que mais não foi que só de intenção.

Os tempos já são outros, o dinheiro não é muito e carros competitivos e ganhadores só para alguns.

E depois, numa candidatura a Europeu é preciso ter uma “Super especial” espectáculo que possa ser televisionada etc etc.

Então é preciso fazer o Rali a partir de sexta-feira, para começar o “Shake Down” (vulgo “parte o carro agora para já não teres logo”) bem cedinho com as verificações logo a seguir, e o carro a ter de entrar em Parque Fechado, que não era bem no sítio que era para ser, a uma hora que afinal não era para ser cumprida, para realizar uma primeira classificativa de “faz-de-conta”.

Então, os não profissionais, ou seja aqueles que têm de trabalhar, e para quem os automóveis são um “Hoby”, têm de faltar às suas obrigações profissionais num dispensável dia de sexta-feira só para fazer uma classificativa que afinal não conta para nada, nem sequer para o tempo aí realizado, senão vejamos:

Regulamentarmente, a todo o concorrente que fizesse nesta Super especial um tempo superior a 3 minutos era atribuído 3 minutos exactos.

Até aqui tudo bem, só que marcas inferiores a três minutos só foram conseguidas por três carros – O Peugeot 206 WRC, o Ford Focus WRC e O Mitsubishi Lancer EVO VII de Grupo N – todos os outros concorrentes foram cotados com 3 minutos, completassem ou não a especial...

Deixem-me APLAUDIR.

De que valeu o risco de efectuar e dar o melhor nesta classificativa.

E, ainda bem que ela foi feita na ordem inversa do número de porta, porque ainda assim fomos a segunda equipa a passar (já se passava mal) e ainda conseguimos jantar e dormir, porque O Miguel Campos disputou a especial quase à 1h e 30m – para sair na manhã seguinte às 7 horas.

Depois, e voltando aos números de porta, gostava de um dia poder privar com a mente iluminada que atribui os números de porta nas listas de inscritos, nomeadamente na Classe 5 que é aquela que me preocupa.

 

Assim vejamos as classificações dos principais interessados e participantes nesta classe:

 

1ª Prova

 

Rali Casino da Póvoa      

Rui Almeida Suzuki Ignis
Aires Faria   Ford Ka
Victor Calisto   Toyota Yaris
não participou João Ramos  Toyota Yaris

 

2ª Prova

 

Rali F. C. Porto      

Aires Faria Ford Ka
Victor Calisto   Toyota Yaris
João Ramos  Toyota Yaris
Desistiu Rui Almeida Suzuki Ignis

 

Perante as classificações obtidas nos dois anteriores ralis os números de porta do Rali Figueira da Foz para estes participantes da classe 5 foram:

 

52 Rui Almeida Suzuki Ignis  (deve ser por ser o carro do importador)
58 Aires Faria Ford Ka (deve ser por ser Ford...)
59 João Ramos Toyota Yaris (deve ser pelo “Jornal da Tarde” ou será de Guaraná...)
60 Victor Calisto Toyota Yaris (deve ser, por ser o Victor Calisto... será....)

 

Mas, de qualquer maneira, e chateie quem se chatear... Só eu sei... Porque não fico em casa...

Em termos de lista de inscritos também os simpáticos espanhóis da equipa “La Ruina Racing”, que deram com os seus três Peugeot 106 de Grupo N, o “Ar Internacional” ao Pré Europeu Rali da Figueira da Foz, e que toda a gente já conhece a sua inigualável rapidez obtiveram por parte da organização os números 54, 55 e 56... Porque será??? – só do nosso carro, os dois Peugeot espanhóis que acabaram ficaram, um a 18 minutos e o outro a 28 minutos...

Depois se não fossem os troféus as listas de inscritos do Campeonato Nacional de Ralis, resumiam-se ás marcas, Peugeot, Ford, Citroen e Fiat e a 6 Mitsubishi de Grupo N, além de como parece evidente dos mal tratados da parte de baixo da tabela – os bravos do pelotão.

Em 60 inscritos 35 eram participantes do Troféu Saxo ou Punto.

Desportivamente o que começou a correr pessimamente na sexta-feira à noite, foi menos mau durante o primaveril dia de Sábado.

Apesar do bom tempo, as classificativas não tinham muito pó pela chuva que se fez sentir nos dias anteriores, mas os pisos, historicamente demolidores da zona centro, fizeram a sua aparição, com zonas de muito mau piso e muita pedra solta, embora o cuidado da organização e das autarquias em proporcionar o melhor cuidado às estradas por onde passava o rali.

Mas, não é possível fazer mais em pisos do tipo da especial de Miranda do Corvo.

Mas todos tivemos de passar pelos mesmos sítios, sofrendo com isso sempre mais quem tem menos meios – mas é assim – não será que foi sempre???

A este Campeonato Nacional de Ralis bem podia ser dado o título do “Campeonato com o vencedor anunciado”, tal é a superioridade da Peugeot perante o WRC da Ford, seja com pneus Pirelli, Michellin ou outros

Ninguém põe em equação a capacidade de condução do Rui Madeira, mas esta é a verdade, primeiro a Peugeot, depois os outros.

O mesmo se passa na Fórmula 3 em que a supremacia do carro da Citroen tem até agora feito arrepender amargamente o Vítor Lopes por ter mudado de casa.

É que os Fiat, só se o Citroen desistir.

A superioridade do Peugeot foi tal que venceu todas as especiais, assim como Armindo Araújo e o Citroen Saxo que foi regularmente terceiro e ganhando sempre a Fórmula 3, só perdendo na última classificativa, manifestamente em sinal de descompressão e de gestão do seu avanço sobre os adversários da Fiat.

No troféu Saxo o mais rápido foi sempre Pedro Dias da Silva, que após ter vencido o Grupo N no ano passado se prepara para vencer o Troféu Saxo este ano.

No troféu Punto Paulo Antunes foi sempre primeiro, deixando uma luta acesa para o segundo posto entre Hugo Lopes e Mex Santos que acabou por se tornar favorável a este último a duas classificativas do fim do rali.

No agrupamento de Produção após a saída para a Peugeot do vencedor das duas primeiras provas, Bruno Magalhães, o caminho ficou aberto a Horácio Franco que ganhou sem dificuldade.

A estreia de Bruno Magalhães a bordo do Peugeot 206 Grupo A “pré troféu” da Sucursal Peugeot também foi auspiciosa, conseguido, este excelente piloto, um andamento muito rápido que o levou a um excelente 13º lugar final.

Na classe 5, Rui Almeida com uma viatura manifestamente superior à concorrência tomou a liderança na primeira classificativa, não a deixando mais até ao fim do rali, provando também a fiabilidade e resistência desta pequena “bomba japonesa”.

Aires Faria colocava o seu Ford Ka em segundo lugar da classe até desistir na segunda passagem pela dura e longa especial de Miranda do Corvo – Lousã.

Victor Calisto herdava assim o segundo posto da classe, que nunca correra perigo, pois João Ramos em carro igual, com ou sem problemas, nunca foi capaz, a exemplo do que acontecera no Rali F. C. Porto, de ser mais rápido que a veterana dupla da Calisto Corse Equipe.

Assim, Victor Calisto deixava João Ramos a quase sete minutos e Fernando Pais em Nissan Micra, um profundo conhecedor da região, a quase 15 minutos.

O próximo Rali, na sua versão número 47 – B, será o Rali de Portugal.... Será????

 

Até lá...

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